Livro reforça trabalhos intelectuais desenvolvidos por negras e negros

O livro do historiador Carlos Eduardo Dias Machado, lançado pela editora EDUEL, faz referências a negras e negros que tiveram papel importante no desenvolvimento da humanidade, mas que foram omitidos ou esquecidos nos livros e nas histórias contatas de geração em geração.

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O esfregão e o balde que o acompanha foram criados pelo inventor negro Thomas Stewart, em 1893. Já a sonda ultravioleta foi criada por George R. Carruthers, em 1972. Sua invenção foi utilizada na missão Apollo 16 à Lua. (Informações extraídas do livro “Negros e negras inventores, cientistas e pioneiros”)

Machado conta que ao ver uma publicidade do McDonald’s, aos 25 anos, se deu conta da invisibilidade do negro nos campos da tecnologia, ciência e inovação.

publicidadeEra fevereiro de 1996  e o anúncio da rede de fast food aparecia numa edição da revista norte-americana Ebony, voltada para afrodescendentes.

Na publicação do Mc Donald’s, em homenagem ao Mês da História Negra, haviam ilustrações de objetos inventados por pessoas negras. E eram invenções que fazem toda a diferença no mundo de hoje, como: semáforo, geladeira, caneta tinteiro, filamento de carbono para a lâmpada elétrica, etc e o título da publicação era: “Toda vez que você usa uma dessas coisas, está celebrando a história negra”.

Fiquei feliz ao saber disso, mas ao mesmo tempo muito espantado por nunca ter ouvido sobre inventores negros antes e nunca ter recebido essas informações na escola”, conta.

Machado começou uma pesquisa no mesmo ano e descobriu que não havia um único livro em português que fizesse referência a inventores e cientistas negros. “Pensei: ‘alguém tem que escrever esse livro. E porque não eu’?”, lembra.

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E assim Machado empenhou-se e em sua pesquisa e o fez. Seu livro foi lançado em Londrina/PR e São Paulo/SP em março de 2013, pela EDUEL (Editora da Universidade de Londrina, em parceria com a Uniafro do Ministério da Educação). A publicação faz parte da série “Nossos saberes, nossos conhecimentos, lançada pelo Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da Universidade de Londrina.

A importância desta obra vai além do que possamos conceber, uma vez que é a oportunidade de finalmente dar nome aos negros que fizeram parte de nossa evolução científica, intelectual, social e em todas as amplitudes.

É um livro que merece lugar nas leituras curriculares, nas tarefas de sala de aula, nas prateleiras das casas.

Sobre o autor:

Carlos Eduardo Dias Machado

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  Professor Mestre em História Social pela USP

  Ex-bolsista da Fundação Ford

Professor da rede pública de ensino

Obra: “Negros e negras inventores, cientistas e pioneiros

Thatiana Nunes | Redatora do Blog AlexandraLoras.com

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4 comentários sobre “Livro reforça trabalhos intelectuais desenvolvidos por negras e negros

  1. Por séculos a história ficou escondida, mas como toda mentira um dia é revelado, eis a verdade sobre os negros do passado. Parabéns, Carlos Eduardo Dias Machado e Alexandra Loras!

  2. Eu tive a honra de ter indicado há muito tempo, uma lista com os cientistas negros “esquecidos” pela história. Dei uma folheada no livro Gênios da Humanidade e senti muito a ausência principalmente de personalidades negras como Machado de Assis e Alexandre Dumas. Mas, parabéns pelo trabalho e penso, que em todas as bibliotecas de escolas públicas brasileiras deveriam constar desse exemplar, além disso, seria uma forma dos professores trabalharem em sala de aula para corrigirem erros crassos cometidos por quem escreveu a história dos negros, colocando-os apenas como escravos.

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