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Protegido: ‘Corra’ e ‘Cara gente Branca’ estão mudando a forma como falamos sobre racismo no cinema e na TV

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Alexandra Loras é ex-consulesa da França em SP, empresária, consultora de empresas e autora de livros. Referência em diversidade e empoderamento feminino.

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MULHERES QUE INSPIRAM, POR ALEXANDRA LORAS

 Publicado no site RG-UOL em 08.08.16

Tenho acompanhado com muito orgulho histórias de mulheres incríveis com grandes conquistas, como a estudante Lorrayne Isidoro, que representou o Brasil na Olimpíada Internacional de Neurociências na Dinamarca. Com apenas 17 anos, moradora de uma favela no Rio de Janeiro, sempre estudou em escola pública, aprendeu sozinha a falar inglês e francês e precisou criar uma campanha de financiamento coletivo para custear a sua viagem para a Dinamarca, depois de vencer a IV Olimpíada Brasileira de Neurociências, em São Paulo.Outra linda história que conheci recentemente é a deAriana Reis, uma mulher negra de origem humilde que se formou médica com muita luta. Em seu convite de formatura, escreveu a seguinte frase: “Sou mulher, sou negra, sou da favela e hoje sou médica.”

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Essas mulheres são para mim uma grande inspiração, porque venceram a falta de privilégios, a desigualdade e a voz interior que diz que não somos dignos ou capazes, e conquistaram seus espaços. Sei que elas representam exceções em um mundo onde a falta de oportunidades favorece alguns talentos, enquanto ofusca outros. Isso é particularmente evidente no Brasil, um país onde a desigualdade social e o preconceito são tão grandes.

Mesmo não existindo um apartheid oficial no país, há ambientes onde o negro não vai. Fomos condicionados a não se autorizar a fazer certas coisas. Nos shoppings de luxo, por exemplo, não há uma placa dizendo “só para brancos” mas, mesmo assim, vê-se poucas pessoas negras nesses espaços. Há algum tempo a Google me convidou para uma palestra, ocasião na qual me informaram que queriam contratar mais negros. Eles anunciaram as vagas em uma das universidades com mais alunos negros de São Paulo, porém não receberam nenhum currículo. Por quê? Porque o negro tem a autoestima tão baixa que não acredita que possa se candidatar para a Google. Esta é nossa grande enfermidade.

Desde muito cedo, percebi que teria que me esforçar mais por ser negra. Quando entrei na faculdade, na Sciences Po, foi uma luta contra minha própria voz, que me falava, “não, Alexandra, você não pode alcançar esse nível”. Eu tentava dominar essa voz e sabia que poderia vencê-la. Mas isso me fez perceber o quanto a sociedade tinha me marcado como mulher e negra. Então decidi ir lá e empurrar as portas e elas se abriram. Eu tinha muitos limites que me falavam: “Ah, mas você não conhece ninguém lá, você não pode, você não é capaz…” Mas a verdade é que cada um de nós é capaz, cada um de nós é cheio de talentos, cheio de potenciais enormes que precisam ser revelados. Quantos Mozarts, por exemplo, nunca foram apresentados a um piano?

Acredito que a solução ideal é termos uma sociedade mais justa e com iguais oportunidades para todos. Mas enquanto lutamos por isso, como vencer essa voz interior e conquistar os espaços que queremos, como fizeram Lorrayne e Ariana? Gosto muito de um conselho que recebi de uma amiga há 15 anos. Ela me levou a uma festa da elite e eu estava muito envergonhada, não sabia me portar, queria desaparecer, sumir daquele lugar. Ela, que também era de origem humilde e muçulmana, circulava como se conhecesse a todos, e todos a cumprimentavam e conversavam com ela. Perguntei: “como você faz isso?” E ela me respondeu: “Você tem que se sentir dona do lugar. Não com arrogância, mas da mesma forma como você receberia seus amigos em sua casa: acolhedora, simpática e feliz em ver essas pessoas que tomaram de seu tempo precioso para vir lhe visitar”.

Ela tinha razão. Você precisa encontrar o pensamento que vai te empoderar para conquistar qualquer espaço. Pense que você é a dona do lugar, em vez de achar que você não é legítima de estar ali. Por que uma pessoa de uma família privilegiada seria mais legítima nos espaços de poder do que uma pessoa de origem humilde que não teve os mesmos privilégios? Acho que esta foi a maior lição que aprendi.

*Alexandra Baldeh Loras é mestranda em Gestão de Mídia pela Sciences Po, influenciadora e palestrante em raça, gênero e diversidade. Ela escreve um blog sobre dignidade negra e é consulesa da França em São Paulo.

Alexandra Loras é ex-consulesa da França em SP, empresária, consultora de empresas e autora de livros. Referência em diversidade e empoderamento feminino.

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O trabalho doméstico e a perpetuação da escravidão

Recentemente, uma imagem bastante emblemática que circulou nas redes sociais me fez refletir sobre a importância de se discutir as relações sociais no Brasil. Na foto, que você deve ter visto por aí, uma babá negra, vestida com uniforme branco, empurra o carrinho dos filhos de um casal branco vestido de verde e amarelo, que caminha à sua frente com um cachorrinho.

É claro que não há nada de vergonhoso no trabalho doméstico em si, muitas mulheres ganham assim a sua vida dignamente. Porém é inegável que no Brasil a situação do emprego doméstico ainda arrasta uma relação que atualiza e perpetua o passado escravagista. A mesma imagem seria impensável na França. Lá, assim como nos Estados Unidos, contratar uma babá é um serviço caro, prestado por pessoas qualificadas, muitas vezes com diploma universitário. Lá, uma babá custa por volta de R$ 7 mil, por isso é muito raro que uma família tenha uma babá fixa. Inclusive é comum que duas a quatro famílias dividam uma mesma babá a fim de repartir os custos, a chamada la garde partagée.

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No Brasil, uma empregada doméstica muitas vezes trabalha por um salário mínimo, deixando seus filhos sozinhos após a escola para cuidar dos filhos dos patrões. Até 1972 não havia nenhuma lei que as protegesse e apenas em 2013 elas passaram a ter os mesmos direitos trabalhistas já existentes no país. Porém a lei não se aplica ao grande número de diaristas, ainda sem direitos. O trabalho doméstico é geralmente ocupado por mulheres negras, que representam 52,6% das domésticas na região metropolitana de São Paulo, segundo dados do Dieese. Essa porcentagem é bem maior do que a de mulheres negras no mercado de trabalho em geral, 38%. Uma herança da escravidão, já que ao serem libertadas, elas permaneceram nas casas grandes como cozinheiras, faxineiras, lavadeiras e babás.

Esse é um ciclo difícil de ser quebrado. Muitas mulheres são filhas e netas de empregadas domésticas com baixa  escolaridade e encontram diversas barreiras na tentativa de obter uma formação que lhes permita melhores condições de trabalho. A mídia colabora retratando as negras sempre como as empregadas, dificultando que elas se enxerguem em outros papéis na sociedade. Por isso devemos questionar a afirmação comum de que “ela é livre para pedir demissão a hora que quiser, caso esteja insatisfeita”. Será que elas são realmente livres? Ou continuam apenas sendo escravizadas de uma maneira moderna?

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O filme “Que Horas Ela Volta” elevou esse debate de forma muito interessante. Assistindo ao filme, me vi nos três papéis, pelos quais passei em diferentes fases da minha vida. Pude me enxergar na babá, porque fui babá na Inglaterra, na Alemanha e nos Estados Unidos; na jovem em ascensão social, porque passei por essa trajetória ao ingressar na Sciences Po, um das mais respeitadas universidade de ciências políticas do mundo; e também no papel da patroa, que ocupo hoje como consulesa, administrando uma casa com três empregadas domésticas. Posso dizer que sim, é muito confortável contar com essa ajuda, mas é preciso dar dignidade econômica a essas mulheres e, sobretudo, não enxergá-las com inferioridade. Conheço pessoas que dizem, por exemplo, que “eu deixo a minha empregada comer a mesma coisa que eu da geladeira”, sem sequer se dar conta do quão chocante é essa frase.

É um problema complexo e de difícil solução, mas o que nós podemos fazer para mudar esta realidade? Acredito que enxergar que esse conforto é parte de um sistema que perpetua um tipo de escravidão moderna é um importante primeiro passo.

Alexandra Loras é ex-consulesa da França em SP, empresária, consultora de empresas e autora de livros. Referência em diversidade e empoderamento feminino.

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Mariana Godoy entrevista: Alexandra Loras

O programa Mariana Godoy entrevista, apresentado pela jornalista Mariana Godoy, na Rede TV!, recebeu Alexandra Baldeh Loras ontem (6 de novembro) para uma entrevista ao vivo.

Abaixo, o programa Mariana Godoy entrevista do dia 6 de novembro na íntegra, com participação do governador do Paraná, Beto Richa no primeiro bloco. No segundo bloco, a partir dos 25 minutos de vídeo, a entrevista de Alexandra Loras, onde fala de sua trajetória de vida, de como sentiu o preconceito na pele e de como acha que podemos contornar essa situação:

Mariana Godoy recebe Beto Richa e Alexandra Loras – Íntegra

Redação: Thatiana Nunes

Thatiana Nunes | Redatora do Blog AlexandraLoras.com

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Jô Soares conversa com Alexandra Baldeh Loras

Alexandra Baldeh Loras foi entrevistada por Jô Soares na última segunda-feira, dia 02 de Novembro.

Alexandra Loras trouxe à tona um tema urgente e tão latente em nosso país: o racismo.

Vestida de branco, Alexandra levantou a questão das babás se vestirem de branco como se fosse um “dresscode” ou um uniforme para babás no Brasil, o que acaba por segregar e diferenciar a babá dos demais membros da família.

Em seguida, faz um paralelo citando o mundo como se tivesse sido formatado apenas com referências negras, os cientistas, inventores, filósofos, intelectuais e outros, onde até mesmo Deus fosse negro. Na TV, as personagens fossem negras, as princesas fossem negras e as únicas referências aos brancos, fossem bem superficiais e referentes à escravatura, apenas.

Com essa dinâmica, Alexandra mostra o outro lado da história e como, em nossa mente, somos formatados a aceitar que o bom é feito por brancos e o ruim, por negros, sempre atrelados a personagens sem escrúpulos, bandidagem, amantes, etc.

Mostrou ao público que, apesar de serem humilhantes, as cotas são a única forma de reequilibrar as oportunidades. Não se trata de uma questão fixa, mas uma questão passageira, uma transição.

Alexandra Loras mostra, ainda, que o que é mais importante hoje, é resgatar a identidade dos negros com referências positivas e importantes para a história do mundo, de forma que eles possam voltar a acreditar em si, em seus potenciais e buscarem meios e oportunidades de encontrarem seus talentos, de fazerem a diferença, ao invés de ingressarem na criminalidade.

Esse reforço vem, por exemplo, através do livro Gênios da Humanidade, escrito por Alexandra Loras em parceria o historiador Carlos Machado, que será lançado em fevereiro, falando de grandes figuras negras da História, como inventores, cientistas, escritores, intelectuais, filósofos e outros.

Para ver a entrevista completa de Alexandra Baldeh Loras concedida ao Jô Soares, clique neste link: http://bit.ly/1WHCSku

Redação: Thatiana Nunes

Thatiana Nunes | Redatora do Blog AlexandraLoras.com

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Cachos e crespos: campanha incentiva meninas a amarem os seus

A campanha Love Your Curls, criada pela Dove, visa incentivar que meninas apreciem seus cachos e crespos, aprendendo a cuidar e a assumi-los sem medo e vergonha.

Por muito tempo, os cabelos lisos eram considerados única alternativa para mulheres se sentirem bonitas, elegantes e arrumadas. No entanto, de algum tempo para cá, tem-se visto que a beleza dos cabelos podem estar justamente nas suas formas mais naturais.

É o caso dos cachos e crespos: são cabelos que tem alma própria, formando seus próprios moldes e, por consequência, trazendo a tona a personalidade e a espontaneidade que até então acaba sendo moldada pelas formas “achatadas” do liso nosso de cada dia.

Mas ainda é grande o incentivo e o reforço de que só se pode ser bonita e elegante se usar liso. E isso começa desde cedo.

Talvez por praticidade, talvez por estarem sendo levadas pela moda, talvez por puro medo da rejeição de suas pequenas, muitas mais tratam de alisar os cabelos das pequenas desde cedo e isso, além de ser algo um tanto quanto prejudicial para a própria autoestima, convenhamos, também é um tanto sofrível – no sentido físico da palavra mesmo – porque esticar madeixas dói, leva tempo e, se houver uso de química, então, pode ser prejudicial à saúde da criança.

Portanto, a Dove e sua campanha Love Your Curls estão fazendo um grande bem em reforçar a beleza dos cabelos naturais. A campanha, criada pela agência Ogilvy & Mather de Paris, colheu depoimentos das pequenas sobre como se sentem com seus cabelos cacheados e traz à tona relatos emocionantes.

Claro que não estamos dizendo que o liso não deva mais ser adotado sob qualquer hipótese, afinal, nem todos tem a sorte de nascer com cachinhos. Mas é importante que reflitamos sobre essa obsessão, que muitas vezes é passada de mães para filhas, de cabelos lisos, mesmo diante de riscos à saúde e prejuízos à autoestima.

Veja o vídeo da campanha, emocione-se e compartilhe este post, esta experiência com todos que puder! ♥

Redação: Thatiana Nunes | Fonte/Foto: Catraca Livre

Thatiana Nunes | Redatora do Blog AlexandraLoras.com

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Entrevista: Alexandra Loras fala de sua participação no TEDx

O evento TEDx foi criado em 1984 e já recebeu grandes nomes do cenário mundial, como  Bill Gates, Bill Clinton, premiados do Nobel e que tem 15 minutos para dividir uma ideia que possa mudar o mundo e inspirar pessoas.

E, nesta edição de São Paulo, que acontecerá dia 28 de Maio, o palco terá seus 15 minutos ocupados por Alexandra Loras.

Confira a entrevista onde Alexandra Loras fala do evento de sua participação:

Thatiana Nunes | Redatora do Blog AlexandraLoras.com