O trabalho doméstico e a perpetuação da escravidão

Recentemente, uma imagem bastante emblemática que circulou nas redes sociais me fez refletir sobre a importância de se discutir as relações sociais no Brasil. Na foto, que você deve ter visto por aí, uma babá negra, vestida com uniforme branco, empurra o carrinho dos filhos de um casal branco vestido de verde e amarelo, que caminha à sua frente com um cachorrinho.

É claro que não há nada de vergonhoso no trabalho doméstico em si, muitas mulheres ganham assim a sua vida dignamente. Porém é inegável que no Brasil a situação do emprego doméstico ainda arrasta uma relação que atualiza e perpetua o passado escravagista. A mesma imagem seria impensável na França. Lá, assim como nos Estados Unidos, contratar uma babá é um serviço caro, prestado por pessoas qualificadas, muitas vezes com diploma universitário. Lá, uma babá custa por volta de R$ 7 mil, por isso é muito raro que uma família tenha uma babá fixa. Inclusive é comum que duas a quatro famílias dividam uma mesma babá a fim de repartir os custos, a chamada la garde partagée.

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No Brasil, uma empregada doméstica muitas vezes trabalha por um salário mínimo, deixando seus filhos sozinhos após a escola para cuidar dos filhos dos patrões. Até 1972 não havia nenhuma lei que as protegesse e apenas em 2013 elas passaram a ter os mesmos direitos trabalhistas já existentes no país. Porém a lei não se aplica ao grande número de diaristas, ainda sem direitos. O trabalho doméstico é geralmente ocupado por mulheres negras, que representam 52,6% das domésticas na região metropolitana de São Paulo, segundo dados do Dieese. Essa porcentagem é bem maior do que a de mulheres negras no mercado de trabalho em geral, 38%. Uma herança da escravidão, já que ao serem libertadas, elas permaneceram nas casas grandes como cozinheiras, faxineiras, lavadeiras e babás.

Esse é um ciclo difícil de ser quebrado. Muitas mulheres são filhas e netas de empregadas domésticas com baixa  escolaridade e encontram diversas barreiras na tentativa de obter uma formação que lhes permita melhores condições de trabalho. A mídia colabora retratando as negras sempre como as empregadas, dificultando que elas se enxerguem em outros papéis na sociedade. Por isso devemos questionar a afirmação comum de que “ela é livre para pedir demissão a hora que quiser, caso esteja insatisfeita”. Será que elas são realmente livres? Ou continuam apenas sendo escravizadas de uma maneira moderna?

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O filme “Que Horas Ela Volta” elevou esse debate de forma muito interessante. Assistindo ao filme, me vi nos três papéis, pelos quais passei em diferentes fases da minha vida. Pude me enxergar na babá, porque fui babá na Inglaterra, na Alemanha e nos Estados Unidos; na jovem em ascensão social, porque passei por essa trajetória ao ingressar na Sciences Po, um das mais respeitadas universidade de ciências políticas do mundo; e também no papel da patroa, que ocupo hoje como consulesa, administrando uma casa com três empregadas domésticas. Posso dizer que sim, é muito confortável contar com essa ajuda, mas é preciso dar dignidade econômica a essas mulheres e, sobretudo, não enxergá-las com inferioridade. Conheço pessoas que dizem, por exemplo, que “eu deixo a minha empregada comer a mesma coisa que eu da geladeira”, sem sequer se dar conta do quão chocante é essa frase.

É um problema complexo e de difícil solução, mas o que nós podemos fazer para mudar esta realidade? Acredito que enxergar que esse conforto é parte de um sistema que perpetua um tipo de escravidão moderna é um importante primeiro passo.

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Tecidos e muitas estampas!

Acho incrível quando vejo um editorial que consegue transmitir imagens tão impactantes. É o caso desse trabalho da famosa revista Architectural Digest Russia. Vale dizer qua a revista fala sobre estilo de vida e decoração e é publicada em grande parte do mundo com edições como: América, França etc. Nesse trabalho o objetivo da revista era mostrar uma mistura de tecidos de forma cool e inovadora

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Acho bacana perceber que nesse caso a mulher consegue dar uma força aos tecidos e ao mesmo tempo evocar um pouco o humor da cultura africana e suas estampas. Espero que gostem dessas imagens, pois refletem o traço de uma forte mulher e ao mesmo tempo natural e linda. Merci!

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Fotos: Copyright Architectural Digest Russia

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Mariana Godoy entrevista: Alexandra Loras

O programa Mariana Godoy entrevista, apresentado pela jornalista Mariana Godoy, na Rede TV!, recebeu Alexandra Baldeh Loras ontem (6 de novembro) para uma entrevista ao vivo.

Abaixo, o programa Mariana Godoy entrevista do dia 6 de novembro na íntegra, com participação do governador do Paraná, Beto Richa no primeiro bloco. No segundo bloco, a partir dos 25 minutos de vídeo, a entrevista de Alexandra Loras, onde fala de sua trajetória de vida, de como sentiu o preconceito na pele e de como acha que podemos contornar essa situação:

Mariana Godoy recebe Beto Richa e Alexandra Loras – Íntegra

Redação: Thatiana Nunes

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Jô Soares conversa com Alexandra Baldeh Loras

Alexandra Baldeh Loras foi entrevistada por Jô Soares na última segunda-feira, dia 02 de Novembro.

Alexandra Loras trouxe à tona um tema urgente e tão latente em nosso país: o racismo.

Vestida de branco, Alexandra levantou a questão das babás se vestirem de branco como se fosse um “dresscode” ou um uniforme para babás no Brasil, o que acaba por segregar e diferenciar a babá dos demais membros da família.

Em seguida, faz um paralelo citando o mundo como se tivesse sido formatado apenas com referências negras, os cientistas, inventores, filósofos, intelectuais e outros, onde até mesmo Deus fosse negro. Na TV, as personagens fossem negras, as princesas fossem negras e as únicas referências aos brancos, fossem bem superficiais e referentes à escravatura, apenas.

Com essa dinâmica, Alexandra mostra o outro lado da história e como, em nossa mente, somos formatados a aceitar que o bom é feito por brancos e o ruim, por negros, sempre atrelados a personagens sem escrúpulos, bandidagem, amantes, etc.

Mostrou ao público que, apesar de serem humilhantes, as cotas são a única forma de reequilibrar as oportunidades. Não se trata de uma questão fixa, mas uma questão passageira, uma transição.

Alexandra Loras mostra, ainda, que o que é mais importante hoje, é resgatar a identidade dos negros com referências positivas e importantes para a história do mundo, de forma que eles possam voltar a acreditar em si, em seus potenciais e buscarem meios e oportunidades de encontrarem seus talentos, de fazerem a diferença, ao invés de ingressarem na criminalidade.

Esse reforço vem, por exemplo, através do livro Gênios da Humanidade, escrito por Alexandra Loras em parceria o historiador Carlos Machado, que será lançado em fevereiro, falando de grandes figuras negras da História, como inventores, cientistas, escritores, intelectuais, filósofos e outros.

Para ver a entrevista completa de Alexandra Baldeh Loras concedida ao Jô Soares, clique neste link: http://bit.ly/1WHCSku

Redação: Thatiana Nunes

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Cachos e crespos: campanha incentiva meninas a amarem os seus

A campanha Love Your Curls, criada pela Dove, visa incentivar que meninas apreciem seus cachos e crespos, aprendendo a cuidar e a assumi-los sem medo e vergonha.

Por muito tempo, os cabelos lisos eram considerados única alternativa para mulheres se sentirem bonitas, elegantes e arrumadas. No entanto, de algum tempo para cá, tem-se visto que a beleza dos cabelos podem estar justamente nas suas formas mais naturais.

É o caso dos cachos e crespos: são cabelos que tem alma própria, formando seus próprios moldes e, por consequência, trazendo a tona a personalidade e a espontaneidade que até então acaba sendo moldada pelas formas “achatadas” do liso nosso de cada dia.

Mas ainda é grande o incentivo e o reforço de que só se pode ser bonita e elegante se usar liso. E isso começa desde cedo.

Talvez por praticidade, talvez por estarem sendo levadas pela moda, talvez por puro medo da rejeição de suas pequenas, muitas mais tratam de alisar os cabelos das pequenas desde cedo e isso, além de ser algo um tanto quanto prejudicial para a própria autoestima, convenhamos, também é um tanto sofrível – no sentido físico da palavra mesmo – porque esticar madeixas dói, leva tempo e, se houver uso de química, então, pode ser prejudicial à saúde da criança.

Portanto, a Dove e sua campanha Love Your Curls estão fazendo um grande bem em reforçar a beleza dos cabelos naturais. A campanha, criada pela agência Ogilvy & Mather de Paris, colheu depoimentos das pequenas sobre como se sentem com seus cabelos cacheados e traz à tona relatos emocionantes.

Claro que não estamos dizendo que o liso não deva mais ser adotado sob qualquer hipótese, afinal, nem todos tem a sorte de nascer com cachinhos. Mas é importante que reflitamos sobre essa obsessão, que muitas vezes é passada de mães para filhas, de cabelos lisos, mesmo diante de riscos à saúde e prejuízos à autoestima.

Veja o vídeo da campanha, emocione-se e compartilhe este post, esta experiência com todos que puder! ♥

Redação: Thatiana Nunes | Fonte/Foto: Catraca Livre

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Descobertas novas cartas e fotos de Machado de Assis

A Academia Brasileira de Letras apresentou no dia 15 de Outubro, uma troca de cartas inédita entre Machado de Assis e José Veríssimo, um de seus colegas de ABL.

machado de assisA ABL (Academia Brasileira de Letras) usou de uma analogia bem peculiar aos novos tempos para se referir aos achados: “Uma espécie de troca de emails” sobre amenidades.

Os achados foram doados há cerca de 2 meses para ABL e faziam parte do acervo de Veríssimo. Das 61 cartas encontradas, 12 eram inéditas e, em sua maioria, são cartas curtas e bilhetes e são parte importante para compor a coleção da ABL.

machado de assisOs documentos também podem ajudar no esclarecimento de erros de transcrição em materiais já publicados. “Li todas as correspondências encontradas no acervo e até notei algumas discrepâncias das transcrições anteriores para o original. Por mais cuidados que tenham as pessoas que transcrevem, às vezes é uma vírgula que falta, um parágrafo que não tinha”, explica Irene Moutinho, especialista na obra de Machado.

machado de assisO material foi doado por Helena Araujo de Lima Veríssimo, viúva do neto de José Veríssimo e ainda inclui artigos de jornais, fotografias e correspondências para familiares e amigos.

machado de assisTambém foram encontradas pelo menos 3 fotografias inéditas de Machado de Assis, uma das quais chamou atenção dos pesquisadores por ser uma imagem frontal, tirada quando o escritor já tinha cerca de 50 anos.

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Machado de Assis, que é considerado o maior ícone de todos os tempos da literatura brasileira, por anos teve sua cor de pele “clareada” em livros didáticos, mas hoje é uma das maiores inspirações para os jovens, especialmente jovens negros, para que se orgulhem de suas raízes e referências positivas.

Com essas fotos, esses referenciais poderão ser ainda mais reforçados, trazendo para os jovens mais um motivo para acreditarem e investirem em seus talentos e potenciais e buscarem serem também referências naquilo que fazem.

Redação: Thatiana Nunes | Fonte/Fotos: O Tempo

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Uma mulher de espírito!

Esse editorial foi produzido para o site de e-commerce americano Net-a-Porter e seu nome dado foi “A woman of spirit” (uma mulher de espírito). É sempre prazeroso ver um editorial que traz uma mulher forte, irreverente e ao mesmo tempo independente.

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Acho que tudo isso ficou claro pelas imagens desse post. A modelo se chama Malaika Firth e é considerada um “top” da atualidade, sendo querida de revistas como Vogue America e França.

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O humor do editorial é livre e vemos peças que possuem o clima dos anos 70 com muitas cores e estampas. Algo gipsy e do campo também está presente. Acredito que as imagens possam nos trazer um pouco de inspiração pela sua beleza e força.

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Vale lembrar que para momentos mais descontraídos o anos 70 está com (+) leia mais

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Merci outfit: Nude e seus tons!

Nesse post resolvemos mostrar uma cor que muitas vezes é universal para quem tem um tom de pele mais escuro ou bronzeado. O nude  é um tom rosado, mas de certa forma opaco. Não possui nenhum grande brilho, é uma mistura do tom de uma pele rosada com um leve pêssego.

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Nessa produção escolhemos um conjunto com uma saia alta e blusa top cropped, porém de forma discreta. Aconselho que mesmo em uma produção mais séria e “corportaiva” é necessário algo para dar aquele twist a mais e trazer todo o look para um humor chique e contemporâneo (nessa caso são os lindos detalhes colocados nos ombros). Poderia também certamente ser usado para uma festa ou grande jantar.

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Na ocasião esse look foi usado para uma palestra muito importante do TEDX (+) leia mais

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Maquiagem nude para negras por Marco Costa

Direto ao ponto: maquiagens em tons neutros, ou os famosos “nudes”, são aquelas que se aproximam a cor da sua pele, de preferência com pouco ou nenhum contraste. Bege natural, bege rosado, pêssego suave e palha são ideais pra peles claras. Vale lembrar que beige, a palavra francesa para definer o marrom claro, significa não processado, rustico, cru. Já as variações de marrons médios ou escuros e até mesmo o famoso preto podem e devem ser usados por negras. No meu segundo livro, Maquiagem (Lovely House), também trago mulheres de vários tons de pele e um punhado de nudes para você. Agora, veja o que fiz hoje.

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Não canso de repetir: a preparação da pele é o passo mais importante do makeup. Escolha uma base ou um corretivo com efeito natural e não se preocupe em usar no rosto todo. Pincele nas olheiras, manchas ou em pequenas cicatrizes. Mas, dá também para aplicar na face inteira sem parecer que foi feito um reboco, como fiz aqui. O segredo é optar pelo produto certo para seu tipo e tom de pele, testando sempre no rosto. Tanto a base ou quanto o corretivo podem ser utilizados com os dedos ou pincel próprio.

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Pincele um pó bem fininho no rosto. Nada de toneladas do produto, tá? Esse conselho vale para quem vai usar uma maquiagem bem elaborada ou neutra. Não costumo aplicar pó com esponja – além de não ser tão higiênico, pode ficar carregado. Para a pele não ficar com o famoso tom acinzentado, que algumas negras reclamam, escolha a base, corretivo e pó sempre de acordo com a cor do seu rosto.

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A sombra marrom esfumada em toda pálpebra superior com um pincel de cerdas macias deixa o olhar da Thainá bem natural. Como disse no começo, existem vários tons nudes. Para ela, este marrom foi a (+) leia mais

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W Magazine Agosto 2015

Esse novo editorial da revista de moda W Magazine ficou sensacional. O que mais gostei foi poder perceber que todas as modelos são “mulheres” universais na melhor idéia de uma mulher que vive e respira em grandes centros cosmopolitas.

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Acho que vale chamar a atenção para o uso de cores nas roupas e os acessórios escolhidos para iluminar e dar um ponto focal em alguma parte do corpo. Veja que podemos nos inspirar com esse novo editorial, seja pelo seu lado criativo ou então pelas cores que favorecem o tom da pele.

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Os cabelos são todos Afro Power, com tamanhos, cores e com alguma pitada de estilo diferente.

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O nome desse editorial se chama “Now Trending” que traduzido para o português poderia ser “Agora em (+) leia mais

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