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“O feminismo ainda é branco”, afirma consulesa da França

Publicado no UOL Estilo em 04.ago.2016, com imagem de Alessandra Levtchenko.

A consulesa da França em São Paulo, Alexandra Loras, se tornou um ícone do empoderamento feminino e da representatividade da mulher negra no Brasil. Recentemente, ela foi uma das curadoras do “TEDXSãoPaulo Mulheres que Inspiram”, que levou ao palco figuras femininas com histórias inspiradoras. Mesmo sem entender por que o país abriu espaço para uma estrangeira, negra e integrante da elite falar sobre esses assuntos, ela pegou a palavra com garra. E não pretende soltar.

Mesmo em um cargo diplomático, você ainda enfrenta preconceito racial?

Por ser consulesa, sou convidada a frequentar os melhores ambientes, onde sou muito bem tratada. Hoje, enxergo o que é ser privilegiada e entendo por que as pessoas não querem abrir mão disso. Mas nem sempre é assim: algumas pessoas ainda pensam que eu deveria me contentar em ser consulesa –e talvez deixar de erguer a minha voz contra o racismo. Nos lugares em que as pessoas não sabem quem sou, sofro o mesmo tipo de racismo praticado contra toda mulher negra no Brasil.

Pode dar alguns exemplos?

Já aconteceu de eu ir até o mercado, comprar produtos importados, e ser seguida pelo segurança durante as compras. Há também as pessoas que dizem: “Nossa, você é uma negra articulada!”. Como se ser articulada fosse um privilégio das brancas. Mesmo de forma velada, elas transmitem a mensagem de que tenho sorte e de que deveria me contentar por já ter chegado aonde cheguei.

Recentemente, a atriz Leslie Jones, da nova versão do filme “Caça Fantasmas”, deu uma entrevista para Whoopi Goldberg. Ela disse que, quando era criança e viu a Whoopi na TV, se deu conta de que também poderia chegar lá. Por que a representatividade negra é importante?

A partir do momento em que a população negra começa a se ver e se reconhecer em todos os espaços, as diferenças sociais diminuem e ganhamos muito em autoestima. Meu objetivo é que os negros, que são 57% da população do Brasil, sejam representados em todos os setores da sociedade: na mídia, nos livros didáticos e, inclusive, nos conselhos administrativos das empresas.

Há quem diga que o Brasil não é tão racista quanto outros países. Por exemplo, os EUA, que tiveram a segregação racial…

Mesmo não tendo uma segregação racial oficial no Brasil, há ambientes aonde o negro não vai. E é aí que o racismo se mostra, atualmente. O negro foi condicionado a não se autorizar a fazer algumas coisas. Nos shoppings e espaços comerciais, não há uma placa “só para brancos” mas, mesmo assim, muitas pessoas negras, quando frequentam esses lugares, são seguidas pelos seguranças e algumas chegam até a ser abordadas. Entrar em uma loja com milhares de brinquedos e ver só três bonecos que são negros, por exemplo, é algo violento e racista. Mas estamos tão acostumados que nem questionamos o absurdo.

A falta de representatividade é uma das razões para a autoestima do afrodescendente ainda ser baixa?

Também influenciam na baixa autoestima do negro a falta de oportunidades, seja na educação ou no mercado de trabalho. Quando entrei na faculdade, na Sciences Po [Instituto de Estudos Políticos de Paris], o mais difícil era enfrentar a voz que falava na minha cabeça: “Não, você não pode frequentar a escola da elite. Esse não é o seu lugar. Não, você não poderá enganá-los, pois não tem o mesmo nível que eles, não pode compartilhar o mesmo espaço”.

O que ajuda a elevar a autoestima do afrodescendente?

Crianças podem ser incentivadas com leituras que inspiram, pois há negros importantes na história, como André Rebouças, Machado de Assis e Teodoro Sampaio. Também vale ensiná-las que os inventores da geladeira, do marca-passo e da antena parabólica eram todos negros! Precisamos aprender –e cultivar em nosso meio– uma cultura de resistência, que não permita que nos curvemos a um preconceito racial que é diário e que nos faz sentir inferiores. Nesse sentido, devemos estabelecer um diálogo do qual os brancos participem, pois o racismo terá um fim apenas se houver um esforço de ambos os lados.

Como você enxerga a inserção das mulheres no mercado de trabalho?

No Brasil, há mais mulheres graduadas nas universidades do que homens, mas ainda precisamos ver esse dado transformar o mercado de trabalho. As mulheres são só 6% dos conselhos executivos. No cinema, temos só 3% de mulheres negras. Somos a primeira geração que pode ler, escrever, votar, trabalhar, casar ou não e optar por ter filhos ou não. Podemos ir atrás dos nossos sonhos, estudar e estamos começando a ter dignidade e poder econômico de maneira autônoma. Mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido, mesmo no Brasil, onde temos a segunda maior população de negros, logo depois da Nigéria.

Você acredita que é preciso separar o feminismo negro do feminismo branco?

É essencial promover uma cultura que reconheça as necessidades específicas de cada mulher, seja branca ou negra. No Brasil, o feminismo ainda é branco, quando a maioria das brasileiras é negra –e não conseguimos superar essa barreira. A problemática da mulher branca, por exemplo, é que ela pode trabalhar há pouco tempo; a mulher negra, por sua vez, sempre trabalhou fora de casa.

Essa separação, de alguma forma, enfraquece a luta das mulheres?

Essa separação só enfraquece a luta das mulheres se nossas pautas atropelarem umas às outras. Cada movimento possui uma agenda própria. O feminismo e a luta contra o racismo precisam articular pautas unificadas, a fim de dar respostas consistentes aos nossos questionamentos.

Muitas pessoas não se consideram racistas, mas têm comportamentos preconceituosos. O que significa não ser racista?

Não ser racista é reconhecer que nós, negros, temos o direito de ocupar os mesmos espaços que, atualmente, são ocupados exclusivamente por pessoas brancas e que a cor de nossa pele não nos faz piores que os demais. É, também, aceitar que 57% da população brasileira, que é negra, represente cargos de liderança, papéis nas novelas e até desenhos animados. Não ser racista é ter empatia e compaixão com a causa negra.

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Alexandra e Damien Loras

Alexandra e Damien Loras deixam a vida diplomática para continuar em SP

Publicado no site Glamurama em 05.ago.2016, com imagem de Paulo Freitas.

O cônsul da França em São Paulo, Damien Loras, e sua mulher, Alexandra, gostaram tanto de viver em São Paulo que vão dar um tempo da carreira diplomática – pela qual já teriam que abandonar a cidade – para ficarem por aqui. O cargo já foi deixado há algumas semanas e eles já planejam a nova vida. “Vamos nos afastar do mundo diplomático por algum tempo, resolvemos deixar de lado essa parte mais burocrática. Até brincamos que o Damien vai deixar a carreira dele e seguir com a minha”, comentou Alexandra para o Glamurama nesta sexta-feira diretamente do Rio de Janeiro, onde está para a abertura dos Jogos Olímpicos.

O casal seria transferido para o Canadá ou Nova York, onde faria parte de uma missão francesa na cidade. “Nosso trabalho no Brasil não acabou. Construímos laços por aqui, temos amigos, minha carreira profissional [ela é jornalista] está num ótimo momento”, explicou. Para completar, eles encontraram uma casa ideal na rua da antiga residência oficial, no Jardim América. O espaço passa por reformas e a mudança deve acontecer daqui a três semanas. A cereja do bolo? Alexandra tem ainda uma proposta das mais especiais para participar de um programa de TV. Parabéns!

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O mundo real, só que ao contrário

Minha pergunta aos brancos é: você trocaria seu lugar para ser negro em nossa sociedade, com todas as consequências que ser negro ainda representa em 2016?

Publicado do Nexo Jornal em 02.ago.2016

Tente imaginar um mundo diferente. Nesse mundo, tudo que foi feito pelos negros é considerado inteligente, lindo e incrível e todas as referências históricas são com negros. Um mundo onde os grandes personagens da história são todos negros. Os revolucionários, os historiadores, filósofos, inventores, escritores e até Deus, o ser supremo, é representado como negro e, claro, Jesus Cristo também. Quando as crianças assistem televisão, nos desenhos animados, a maioria dos personagens são negros, assim como os príncipes e as princesas. Nas novelas, a mulher branca é sempre a faxineira, ou a amante do homem negro e rico. E a única coisa que sabemos sobre os brancos, são duas páginas nos livros didáticos que dizem que o branco foi escravizado. Como seria esse mundo? Não seria cruel ver sempre o homem branco como o criminoso, como o traficante de drogas? Não seria chocante? Pois esse é o mundo em que vivemos, só que ao contrário. Essas são as referências que temos, desde que nascemos até hoje.

Em minhas palestras, gosto de propor esse exercício de imaginação para estimular uma visão diferente sobre a questão do preconceito. É interessante perceber como a sociedade se acostumou a ser racista pelo simples fato de encarar como normal algo que, se fosse ao contrário, causaria estranhamento. Tive a oportunidade de traduzir essa reflexão em uma imagem, uma foto produzida para a Revista Vogue e acredito que, como dizem, uma imagem vale mais do que mil palavras. A fotografia representa um ambiente aristocrático, porém com negras representando pessoas da elite, enquanto as mulheres brancas estão uniformizadas como empregadas, sendo uma delas a princesa Paola de Orleans e Bragança, descendente da família real brasileira, que gentilmente aceitou meu convite para participar.

FOTO: TINKO CZETWERTYNSKI

FOTO PUBLICADA NA VOGUE BRASIL DE AGOSTO. NA FOTO ESTÃO: PAOLA DE ORLEANS E BRAGANÇA AO FUNDO E, DA ESQUERDA PARA DIREITA: KARINE AMANCIO, JOYCE RIBEIRO, ALEXANDRA LORAS, DANI ORNELLAS E SAMIRA CARVALHO

 

Vejo essa imagem como um convite a vestir a pele das pessoas negras. Como você enxerga essa foto? Causa algum estranhamento? O simples fato da imagem gerar polêmica mostra que não temos uma sociedade igualitária porque, se no mundo em que vivemos negros e brancos fossem tratados da mesma forma, uma inversão de papéis não incomodaria ninguém. Mas como estamos acostumados com essa sociedade que promove privilégios aos brancos, eles não se colocam no lugar dos negros. O nosso objetivo foi gerar uma reflexão sobre o tema, provocar o debate e gerar discussão. Então seja qual for a sua opinião sobre a imagem, o importante é que você pense sobre o assunto, converse sobre ele e reflita. Minha pergunta aos brancos é: você trocaria seu lugar para ser negro em nossa sociedade, com todas as consequências que ser a negro ainda representa em 2016?

ACREDITO QUE O RACISMO SERÁ VENCIDO PELOS ESFORÇOS CONJUNTOS ENTRE NEGROS E BRANCOS. ACREDITO NA CONCILIAÇÃO POR MEIO DA CONSCIENTIZAÇÃO.

Exercício semelhante foi proposto pela cineasta francesa Eléonore Pourriat no curta metragem “Majorité Opprimée” (“Maioria Oprimida”) para denunciar o machismo presente em nosso dia a dia. O filme retrata um mundo ao contrário, sexista e dominado por mulheres, em que os homens sofrem assédio, abusos e desrespeito.

Em ambos os casos, não se trata de defender esses mundos reversos como ideais. Tampouco a sociedade que desejo seria uma em que os brancos são oprimidos pelos negros. De forma alguma. ​Acredito que o racismo será vencido pelos esforços conjuntos entre negros e brancos. Acredito na conciliação por meio da conscientização. O branco de hoje não tem culpa pelas atrocidades que foram feitas no passado, mas somos todos responsáveis por solucionar as consequências traumáticas e reequilibrar nossa sociedade.

Em todas as minhas iniciativas contra o racismo, recebo inúmeras mensagens de apoio e também muitas críticas. Não sou a maior especialista no tema, porém procuro aproveitar o espaço que me foi dado pela mídia brasileira para trazer visibilidade sobre esse assunto. Desde que desenvolvi minha tese de mestrado sobre a invisibilidade do negro na televisão francesa, venho pesquisando sobre o racismo. Neste ano, já participei de mais de 50 eventos sobre diversidade, fui uma das palestrantes convidadas para o TEDx em Cannes, durante os eventos do mês da consciência negra em Harvard e idealizei o primeiro TEDxSãoPaulo protagonizado por mulheres negras, que aconteceu em julho no Hotel Unique.

Acredito que não existe receita certa nessa luta. Prefiro me mexer e incomodar do que ficar quieta, calada, sendo abusada pelo sistema. Prefiro tentar e errar do que ficar presa nessa realidade que me incomoda sem fazer nada para mudá-­la.

Alexandra Baldeh Loras é mestre em Gestão de Mídia pela Sciences Po, influenciadora e palestrante em raça, gênero e diversidade. Ela escreve um blog sobre dignidade negra www.alexandraloras.com ​www.facebook.com/alexandrabloras e é consulesa da França em São Paulo.

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MULHERES QUE INSPIRAM, POR ALEXANDRA LORAS

Publicado no site RG-UOL em 08.08.16Tenho acompanhado com muito orgulho histórias de mulheres incríveis com grandes conquistas, como a estudante Lorrayne Isidoro, que representou o Brasil na Olimpíada Internacional de Neurociências na Dinamarca. Com apenas 17 anos, moradora de uma favela no Rio de Janeiro, sempre estudou em escola pública, aprendeu sozinha a falar inglês e francês e precisou criar uma campanha de financiamento coletivo para custear a sua viagem para a Dinamarca, depois de vencer a IV Olimpíada Brasileira de Neurociências, em São Paulo.

Outra linda história que conheci recentemente é a deAriana Reis, uma mulher negra de origem humilde que se formou médica com muita luta. Em seu convite de formatura, escreveu a seguinte frase: “Sou mulher, sou negra, sou da favela e hoje sou médica.”

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Essas mulheres são para mim uma grande inspiração, porque venceram a falta de privilégios, a desigualdade e a voz interior que diz que não somos dignos ou capazes, e conquistaram seus espaços. Sei que elas representam exceções em um mundo onde a falta de oportunidades favorece alguns talentos, enquanto ofusca outros. Isso é particularmente evidente no Brasil, um país onde a desigualdade social e o preconceito são tão grandes.

Mesmo não existindo um apartheid oficial no país, há ambientes onde o negro não vai. Fomos condicionados a não se autorizar a fazer certas coisas. Nos shoppings de luxo, por exemplo, não há uma placa dizendo “só para brancos” mas, mesmo assim, vê-se poucas pessoas negras nesses espaços. Há algum tempo a Google me convidou para uma palestra, ocasião na qual me informaram que queriam contratar mais negros. Eles anunciaram as vagas em uma das universidades com mais alunos negros de São Paulo, porém não receberam nenhum currículo. Por quê? Porque o negro tem a autoestima tão baixa que não acredita que possa se candidatar para a Google. Esta é nossa grande enfermidade.

Desde muito cedo, percebi que teria que me esforçar mais por ser negra. Quando entrei na faculdade, na Sciences Po, foi uma luta contra minha própria voz, que me falava, “não, Alexandra, você não pode alcançar esse nível”. Eu tentava dominar essa voz e sabia que poderia vencê-la. Mas isso me fez perceber o quanto a sociedade tinha me marcado como mulher e negra. Então decidi ir lá e empurrar as portas e elas se abriram. Eu tinha muitos limites que me falavam: “Ah, mas você não conhece ninguém lá, você não pode, você não é capaz…” Mas a verdade é que cada um de nós é capaz, cada um de nós é cheio de talentos, cheio de potenciais enormes que precisam ser revelados. Quantos Mozarts, por exemplo, nunca foram apresentados a um piano?

Acredito que a solução ideal é termos uma sociedade mais justa e com iguais oportunidades para todos. Mas enquanto lutamos por isso, como vencer essa voz interior e conquistar os espaços que queremos, como fizeram Lorrayne e Ariana? Gosto muito de um conselho que recebi de uma amiga há 15 anos. Ela me levou a uma festa da elite e eu estava muito envergonhada, não sabia me portar, queria desaparecer, sumir daquele lugar. Ela, que também era de origem humilde e muçulmana, circulava como se conhecesse a todos, e todos a cumprimentavam e conversavam com ela. Perguntei: “como você faz isso?” E ela me respondeu: “Você tem que se sentir dona do lugar. Não com arrogância, mas da mesma forma como você receberia seus amigos em sua casa: acolhedora, simpática e feliz em ver essas pessoas que tomaram de seu tempo precioso para vir lhe visitar”.

Ela tinha razão. Você precisa encontrar o pensamento que vai te empoderar para conquistar qualquer espaço. Pense que você é a dona do lugar, em vez de achar que você não é legítima de estar ali. Por que uma pessoa de uma família privilegiada seria mais legítima nos espaços de poder do que uma pessoa de origem humilde que não teve os mesmos privilégios? Acho que esta foi a maior lição que aprendi.

*Alexandra Baldeh Loras é mestranda em Gestão de Mídia pela Sciences Po, influenciadora e palestrante em raça, gênero e diversidade. Ela escreve um blog sobre dignidade negra e é consulesa da França em São Paulo.

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O trabalho doméstico e a perpetuação da escravidão

Recentemente, uma imagem bastante emblemática que circulou nas redes sociais me fez refletir sobre a importância de se discutir as relações sociais no Brasil. Na foto, que você deve ter visto por aí, uma babá negra, vestida com uniforme branco, empurra o carrinho dos filhos de um casal branco vestido de verde e amarelo, que caminha à sua frente com um cachorrinho.

É claro que não há nada de vergonhoso no trabalho doméstico em si, muitas mulheres ganham assim a sua vida dignamente. Porém é inegável que no Brasil a situação do emprego doméstico ainda arrasta uma relação que atualiza e perpetua o passado escravagista. A mesma imagem seria impensável na França. Lá, assim como nos Estados Unidos, contratar uma babá é um serviço caro, prestado por pessoas qualificadas, muitas vezes com diploma universitário. Lá, uma babá custa por volta de R$ 7 mil, por isso é muito raro que uma família tenha uma babá fixa. Inclusive é comum que duas a quatro famílias dividam uma mesma babá a fim de repartir os custos, a chamada la garde partagée.

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No Brasil, uma empregada doméstica muitas vezes trabalha por um salário mínimo, deixando seus filhos sozinhos após a escola para cuidar dos filhos dos patrões. Até 1972 não havia nenhuma lei que as protegesse e apenas em 2013 elas passaram a ter os mesmos direitos trabalhistas já existentes no país. Porém a lei não se aplica ao grande número de diaristas, ainda sem direitos. O trabalho doméstico é geralmente ocupado por mulheres negras, que representam 52,6% das domésticas na região metropolitana de São Paulo, segundo dados do Dieese. Essa porcentagem é bem maior do que a de mulheres negras no mercado de trabalho em geral, 38%. Uma herança da escravidão, já que ao serem libertadas, elas permaneceram nas casas grandes como cozinheiras, faxineiras, lavadeiras e babás.

Esse é um ciclo difícil de ser quebrado. Muitas mulheres são filhas e netas de empregadas domésticas com baixa  escolaridade e encontram diversas barreiras na tentativa de obter uma formação que lhes permita melhores condições de trabalho. A mídia colabora retratando as negras sempre como as empregadas, dificultando que elas se enxerguem em outros papéis na sociedade. Por isso devemos questionar a afirmação comum de que “ela é livre para pedir demissão a hora que quiser, caso esteja insatisfeita”. Será que elas são realmente livres? Ou continuam apenas sendo escravizadas de uma maneira moderna?

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O filme “Que Horas Ela Volta” elevou esse debate de forma muito interessante. Assistindo ao filme, me vi nos três papéis, pelos quais passei em diferentes fases da minha vida. Pude me enxergar na babá, porque fui babá na Inglaterra, na Alemanha e nos Estados Unidos; na jovem em ascensão social, porque passei por essa trajetória ao ingressar na Sciences Po, um das mais respeitadas universidade de ciências políticas do mundo; e também no papel da patroa, que ocupo hoje como consulesa, administrando uma casa com três empregadas domésticas. Posso dizer que sim, é muito confortável contar com essa ajuda, mas é preciso dar dignidade econômica a essas mulheres e, sobretudo, não enxergá-las com inferioridade. Conheço pessoas que dizem, por exemplo, que “eu deixo a minha empregada comer a mesma coisa que eu da geladeira”, sem sequer se dar conta do quão chocante é essa frase.

É um problema complexo e de difícil solução, mas o que nós podemos fazer para mudar esta realidade? Acredito que enxergar que esse conforto é parte de um sistema que perpetua um tipo de escravidão moderna é um importante primeiro passo.

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Tecidos e muitas estampas!

Acho incrível quando vejo um editorial que consegue transmitir imagens tão impactantes. É o caso desse trabalho da famosa revista Architectural Digest Russia. Vale dizer qua a revista fala sobre estilo de vida e decoração e é publicada em grande parte do mundo com edições como: América, França etc. Nesse trabalho o objetivo da revista era mostrar uma mistura de tecidos de forma cool e inovadora

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Acho bacana perceber que nesse caso a mulher consegue dar uma força aos tecidos e ao mesmo tempo evocar um pouco o humor da cultura africana e suas estampas. Espero que gostem dessas imagens, pois refletem o traço de uma forte mulher e ao mesmo tempo natural e linda. Merci!

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Fotos: Copyright Architectural Digest Russia

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Mariana Godoy entrevista: Alexandra Loras

O programa Mariana Godoy entrevista, apresentado pela jornalista Mariana Godoy, na Rede TV!, recebeu Alexandra Baldeh Loras ontem (6 de novembro) para uma entrevista ao vivo.

Abaixo, o programa Mariana Godoy entrevista do dia 6 de novembro na íntegra, com participação do governador do Paraná, Beto Richa no primeiro bloco. No segundo bloco, a partir dos 25 minutos de vídeo, a entrevista de Alexandra Loras, onde fala de sua trajetória de vida, de como sentiu o preconceito na pele e de como acha que podemos contornar essa situação:

Mariana Godoy recebe Beto Richa e Alexandra Loras – Íntegra

Redação: Thatiana Nunes

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Jô Soares conversa com Alexandra Baldeh Loras

Alexandra Baldeh Loras foi entrevistada por Jô Soares na última segunda-feira, dia 02 de Novembro.

Alexandra Loras trouxe à tona um tema urgente e tão latente em nosso país: o racismo.

Vestida de branco, Alexandra levantou a questão das babás se vestirem de branco como se fosse um “dresscode” ou um uniforme para babás no Brasil, o que acaba por segregar e diferenciar a babá dos demais membros da família.

Em seguida, faz um paralelo citando o mundo como se tivesse sido formatado apenas com referências negras, os cientistas, inventores, filósofos, intelectuais e outros, onde até mesmo Deus fosse negro. Na TV, as personagens fossem negras, as princesas fossem negras e as únicas referências aos brancos, fossem bem superficiais e referentes à escravatura, apenas.

Com essa dinâmica, Alexandra mostra o outro lado da história e como, em nossa mente, somos formatados a aceitar que o bom é feito por brancos e o ruim, por negros, sempre atrelados a personagens sem escrúpulos, bandidagem, amantes, etc.

Mostrou ao público que, apesar de serem humilhantes, as cotas são a única forma de reequilibrar as oportunidades. Não se trata de uma questão fixa, mas uma questão passageira, uma transição.

Alexandra Loras mostra, ainda, que o que é mais importante hoje, é resgatar a identidade dos negros com referências positivas e importantes para a história do mundo, de forma que eles possam voltar a acreditar em si, em seus potenciais e buscarem meios e oportunidades de encontrarem seus talentos, de fazerem a diferença, ao invés de ingressarem na criminalidade.

Esse reforço vem, por exemplo, através do livro Gênios da Humanidade, escrito por Alexandra Loras em parceria o historiador Carlos Machado, que será lançado em fevereiro, falando de grandes figuras negras da História, como inventores, cientistas, escritores, intelectuais, filósofos e outros.

Para ver a entrevista completa de Alexandra Baldeh Loras concedida ao Jô Soares, clique neste link: http://bit.ly/1WHCSku

Redação: Thatiana Nunes

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Cachos e crespos: campanha incentiva meninas a amarem os seus

A campanha Love Your Curls, criada pela Dove, visa incentivar que meninas apreciem seus cachos e crespos, aprendendo a cuidar e a assumi-los sem medo e vergonha.

Por muito tempo, os cabelos lisos eram considerados única alternativa para mulheres se sentirem bonitas, elegantes e arrumadas. No entanto, de algum tempo para cá, tem-se visto que a beleza dos cabelos podem estar justamente nas suas formas mais naturais.

É o caso dos cachos e crespos: são cabelos que tem alma própria, formando seus próprios moldes e, por consequência, trazendo a tona a personalidade e a espontaneidade que até então acaba sendo moldada pelas formas “achatadas” do liso nosso de cada dia.

Mas ainda é grande o incentivo e o reforço de que só se pode ser bonita e elegante se usar liso. E isso começa desde cedo.

Talvez por praticidade, talvez por estarem sendo levadas pela moda, talvez por puro medo da rejeição de suas pequenas, muitas mais tratam de alisar os cabelos das pequenas desde cedo e isso, além de ser algo um tanto quanto prejudicial para a própria autoestima, convenhamos, também é um tanto sofrível – no sentido físico da palavra mesmo – porque esticar madeixas dói, leva tempo e, se houver uso de química, então, pode ser prejudicial à saúde da criança.

Portanto, a Dove e sua campanha Love Your Curls estão fazendo um grande bem em reforçar a beleza dos cabelos naturais. A campanha, criada pela agência Ogilvy & Mather de Paris, colheu depoimentos das pequenas sobre como se sentem com seus cabelos cacheados e traz à tona relatos emocionantes.

Claro que não estamos dizendo que o liso não deva mais ser adotado sob qualquer hipótese, afinal, nem todos tem a sorte de nascer com cachinhos. Mas é importante que reflitamos sobre essa obsessão, que muitas vezes é passada de mães para filhas, de cabelos lisos, mesmo diante de riscos à saúde e prejuízos à autoestima.

Veja o vídeo da campanha, emocione-se e compartilhe este post, esta experiência com todos que puder! ♥

Redação: Thatiana Nunes | Fonte/Foto: Catraca Livre

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machado de assis

Descobertas novas cartas e fotos de Machado de Assis

A Academia Brasileira de Letras apresentou no dia 15 de Outubro, uma troca de cartas inédita entre Machado de Assis e José Veríssimo, um de seus colegas de ABL.

machado de assisA ABL (Academia Brasileira de Letras) usou de uma analogia bem peculiar aos novos tempos para se referir aos achados: “Uma espécie de troca de emails” sobre amenidades.

Os achados foram doados há cerca de 2 meses para ABL e faziam parte do acervo de Veríssimo. Das 61 cartas encontradas, 12 eram inéditas e, em sua maioria, são cartas curtas e bilhetes e são parte importante para compor a coleção da ABL.

machado de assisOs documentos também podem ajudar no esclarecimento de erros de transcrição em materiais já publicados. “Li todas as correspondências encontradas no acervo e até notei algumas discrepâncias das transcrições anteriores para o original. Por mais cuidados que tenham as pessoas que transcrevem, às vezes é uma vírgula que falta, um parágrafo que não tinha”, explica Irene Moutinho, especialista na obra de Machado.

machado de assisO material foi doado por Helena Araujo de Lima Veríssimo, viúva do neto de José Veríssimo e ainda inclui artigos de jornais, fotografias e correspondências para familiares e amigos.

machado de assisTambém foram encontradas pelo menos 3 fotografias inéditas de Machado de Assis, uma das quais chamou atenção dos pesquisadores por ser uma imagem frontal, tirada quando o escritor já tinha cerca de 50 anos.

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Machado de Assis, que é considerado o maior ícone de todos os tempos da literatura brasileira, por anos teve sua cor de pele “clareada” em livros didáticos, mas hoje é uma das maiores inspirações para os jovens, especialmente jovens negros, para que se orgulhem de suas raízes e referências positivas.

Com essas fotos, esses referenciais poderão ser ainda mais reforçados, trazendo para os jovens mais um motivo para acreditarem e investirem em seus talentos e potenciais e buscarem serem também referências naquilo que fazem.

Redação: Thatiana Nunes | Fonte/Fotos: O Tempo

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